terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Um Roteiro para Reformar uma Igreja

Um Roteiro para Reformar uma Igreja

Greg Gilbert01 de Dezembro de 2014 - Igreja e Ministério
O trabalho de reforma da igreja pode parecer um pouco com estar no meio de uma floresta. Para onde eu vou agora? Onde é mesmo que eu começo? O que você faz primeiro? O que você deve ignorar? Qual é o alvo que eu devo me esforçar para alcançar?
Um roteiro para a reforma da igreja
Com certeza, cada situação será diferente, mas eu penso também que há um padrão geral que estabelece uma boa trajetória para caras que estão tentando liderar uma igreja no processo de reforma. Aqui está um pequeno roteiro que pode ajudá-lo a não se perder enquanto caminha.
1. Pregue a Palavra.
Primeiro, pregue a Palavra. Isso não é apenas o primeiro passo, é o ar que você respira. Em todo tempo, e enquanto o Senhor lhe der fôlego, pregue a Palavra. É a Palavra de Deus que dá vida e é a Palavra de Deus que o Espírito Santo usa para moldar uma igreja à imagem de Jesus. Se você não fizer isso – fielmente, acuradamente e bem –, reformar a igreja não valerá de nada.
Ao mesmo tempo, uma parte importante de reformar uma igreja é constantemente ensinar a sua congregação acerca dos fundamentos bíblicos daquilo que você está fazendo. A cada passo ao longo do caminho, você precisará ensiná-los – sobre membresia, sobre presbíteros, sobre diáconos, sobre congregacionalismo e até mesmo sobre o significado da própria igreja. O elemento do ensino, na reforma, nunca está acabado. De fato, ele limpa o caminho para tudo o mais.
2. Aprenda sobre o governo da igreja.
Segundo, aprenda sobre o governo da sua igreja. Se você vai reformar uma igreja, em vez de começá-la do zero, você precisa conhecer o seu governo. Você precisa saber como mudar as coisas. O que você precisa saber para mudar as regras? Para eleger líderes? Para receber ou excluir membros? Como tudo isso funciona? Você, como o pastor reformador, precisa conhecer as regras existentes melhor do que qualquer outro na igreja. Se não fizer isso – se você simplesmente tentar passar por cima das coisas –, você criará grandes problemas para si mesmo, porque as pessoas se sentirão traídas. Geralmente é mais fácil engolir a derrota quando se sente que ela aconteceu de maneira honesta. Quer criar uma rebelião contra si mesmo? Ignore as regras.
3. Conheça os vigias.
Terceiro, conheça os vigias. Toda igreja tem “pontos de pressão” de autoridade, pessoas que estão em posições chaves de liderança, sejam formais ou informais. Em uma situação que precisa de reforma, um bom número desses vigias – por definição – será problemático. De outra sorte a igreja teria reformado a si mesma antes de você chegar lá.
Para reformar uma igreja, então, conheça essas pessoas. Dedique tempo a elas, antes de ofendê-las, e descubra o valor delas, como elas se comunicam e como elas podem ser persuadidas. É útil saber quais dessas pessoas podem influenciar outras dentre elas e onde essas pessoas serão úteis a você em diferentes pontos da reforma. Se o principal dos diáconos gosta da idéia de presbíteros, mas odeia a idéia de membresia significativa, confie nele ao estabelecer presbíteros, mas não conte com ele quando estiver lidando com membresia.
4. Procure alguma ajuda.
Quarto, procure alguma ajuda. Você não pode fazer uma reforma sozinho. Você quer que outras pessoas se engajem no processo, que tenham idéias e identifiquem os noventa por cento delas que são ruins, que o dissuadam de fazer coisas idiotas e que o convençam a fazer as coisas que são boas, apesar de desagradáveis. Não precisa ser algo formal; você não precisa eleger homens para desempenhar esse papel. Mas você quer que eles “comprem” a idéia da reforma, quase tanto quanto você mesmo comprou. Você quer que eles sintam o peso dela, que se preocupem profundamente com ela, e que nem sequer passe pela cabeça deles deixá-lo sozinho se o processo se tornar difícil. Procure homens que você nomearia presbíteros se pudesse. Eles precisam ser não apenas grandes vozes, mas pacificadores e persuasores, encorajadores e fortalecedores. Se você puder achar ao menos um ou dois homens como esses para estarem ao seu lado, seu trabalho será imensuravelmente mais fácil de carregar.
5. Torne a membresia significativa.
Quinto, torne a membresia significativa. Essa é uma das primeiras coisas que você pode fazer em uma reforma e a boa notícia é que a maioria dos pastores pode fazer pelo menos parte desse trabalho sem nenhuma mudança formal das regras. Provavelmente não será necessária uma votação congregacional. Mesmo que seja culturalmente exigido que você receba pessoas na membresia depois de elas “virem à frente” num apelo, a maioria dos pastores poderá pelo menos defender que seria bom conversar com membros em potencial antes de eles serem aceitos no rol. Então, ao reunir-se com eles, você pode se assegurar de que eles entendam o evangelho e sejam de fato cristãos. Não apenas isso, mas você também deve começar, logo no início da reforma, a fazer com que o seu rol de membros reflita mais acuradamente a freqüência da igreja. Se há pessoas no rol que não têm freqüentado a igreja por décadas, você provavelmente deve removê-las. As decisões acerca dos vários passos da reforma na sua igreja devem ser tomadas por pessoas que de fato tenham um firme interesse na igreja, não por pessoas que simplesmente aparecem nas votações importantes e, depois, desaparecem de novo.
6. Reforme as regras.
Sexto, reforme as regras. Uma vez que o rol de membros esteja limpo e reflita acuradamente a sua freqüência, você deve avançar cuidadosamente para reformar as regras da igreja, se isso for necessário. Geralmente, isso significa emendar ou substituir a constituição ou estatuto. É importante observar que reformar as regras é, na verdade, um ponto avançado na agenda da reforma. Você deve pensar nisso como o fruto que brota de muito arado, às vezes anos de arado, que precisa ser feito antes. Uma vez que esse trabalho esteja feito, contudo, ele pavimenta o caminho para reformas ainda mais benéficas.
7. Reconheça presbíteros.
Sétimo, reconheça presbíteros. Se a sua congregação estiver pronta para mudar as suas regras e abrir caminho para uma pluralidade de pastores, ela provavelmente estará pronta a reconhecer homens como presbíteros. Por outro lado, o específico é sempre mais difícil do que o abstrato, e decidir que homens nomear é, às vezes, uma decisão difícil. Você deve ter alguns homens na igreja que estão obviamente qualificados a exercerem aquele papel, mas também é provável que haja alguns que estejam quase qualificados. Também pode haver alguns homens que a congregação esperaria que fossem reconhecidos como presbíteros, mas que não estão qualificados de modo algum. Como em qualquer outro passo da reforma, você precisará dispender uma grande medida de ensino acerca do papel e do caráter dos presbíteros, antes de nomear um grupo de homens.
8. Desenvolva uma cultura de discipulado e construa estruturas que lhe dêem suporte.
Oitavo, desenvolva uma cultura de discipulado e construa estruturas que lhe dêem suporte. Uma vez que você tenha um grupo de homens reconhecidos como presbíteros, o passo seguinte é começar a edificar sobre o fundamento da reforma que você já lançou. Esse não é apenas um passo em um processo; é um processo contínuo de liderar a igreja em seu crescimento espiritual. Construir uma cultura de discipulado é crucial para esse crescimento. Por meio do exemplo e do ensino, você deseja mostrar à sua congregação o que significa ser um cristão e como a igreja funciona de modo a ajudar os cristãos a crescer.
Não apenas isso, mas você deve construir estruturas que dêem suporta a essa cultura de discipulado. Igrejas diferentes fazem isso de maneiras diferentes, é claro. Na minha igreja, nós temos uma estrutura de grupos caseiros que dão suporte ao discipulado de cerca de oitenta e cinco por cento de nossos membros. Outras igrejas repousam em outras estruturas. A coisa importante a lembrar é que o discipulado não acontece de modo espontâneo; ele precisa ser conduzido e promovido.
9. Pregue a Palavra.
Nono, pregue a Palavra. Nós terminamos onde começamos. O passo mais fundamental na reforma da igreja – e é mais do que um passo; é o que sustenta e permeia tudo o mais –é ter certeza de que a Palavra de Deus está sendo proclamada e aplicada a cada área da vida da igreja. Quando a membresia estiver limpa, as regras, reformadas, os oficiais, eleitos e as estruturas de discipulado, estabelecidas, o que resta é uma vida inteira de pregaçãoda Palavra e de oração para que Deus traga crescimento. Nós podemos plantar e regar, mas, se há de haver vida, isso acontecerá apenas pelo poder gracioso de Deus.
Reformar a igreja é mais como criar filhos do que como construir uma máquina
Eu apresentei aqui uma lista numerada de passos e eles são, grosso modo, os passos que nós seguimos enquanto trabalhávamos para reformar a Third Avenue Baptist, em Louisville (EUA). Mas, é claro, uma igreja não é uma máquina, e reformar a igreja não é uma questão de simplesmente encaixar as peças em seus lugares. Situações diferentes podem exigir uma ordem diferente de passos e é aí que entra a sabedoria pastoral. No fim das contas, reformar uma igreja é muito mais como criar um filho do que como construir uma máquina. Você se deixa gastar na igreja, ama-a, serve-a, instrui-a e a lidera – e você ora o tempo todo para que Deus a faça amadurecer e torne-a uma testemunha viva e vibrante do seu Filho.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

8 motivos bíblicos para dizer: “Racismo não!”

No jornal de quarta-feira eu leio as seguintes palavras:
Há forte evidência de que salientar as diferenças pouco trabalha para melhorar as relações raciais, e pode ainda exacerbar as mesmas diferenças.
Por exemplo, os distritos escolares de Minneapolis e St. Paul fizeram da dispendiosa educação de diversidade uma prioridade por décadas. Apesar disso, o distrito de Minneapolis recentemente anunciou que “racismo embutido” continua a permear as suas escolas, enquanto que um estudo de 1994 da People para a American Way descobriu que as “relações raciais e a tolerância” nas escolas de ensino médio de St. Paul estão “desmoronando”. (Katherine Kersten, “‘Diversity Training’ Efforts Proceed from False Premise,” StarTribune, 10 de Janeiro de 1996, p. A13)
E a situação também não é boa nas igrejas. Eu já ouvi observações humilhantes e prejudiciais em nossa própria igreja sobre minorias étnicas. E um pastor negro me disse recentemente que um de seus membros negros se sentiu provocado com um novo frequentador branco e disse: “Eu tenho que me aborrecer com gente branca a semana inteira; eu não quero ter que fazer isso na igreja aos domingos”.
Então já é tempo de a igreja, colocar nova energia nessa questão e trabalhá-la. Para esse fim, eu quero estabelecer um fundamento bíblico na forma de oito teses.

1. Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano.

Atos 17.26:
[Deus] de um só fez toda a raça humana [pan ethnos = todo grupo étnico] para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação.
Observe duas coisas nesse texto.
Primeiro, observe que Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus. O texto diz claramente: “DEUS criou cadaethnos”.
Segundo, observe que Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano. Paulo diz: “Ele fez DE UM SÓ cada ethnos”. Isso tem um murro especial quando você pondera o porquê de ele escolher dizer especificamente isso a esses atenienses no aerópago. Os atenienses apreciavam se vangloriar de que eles eram os autochthones, que quer dizer que eles haviam nascido em seu próprio solo nativo e não eram imigrantes de algum outro lugar ou grupo étnico. (Veja Lenski e Bruce, ad. loc.) Paulo escolhe confrontar esse orgulho étnico logo de cara. Deus criou todos os grupos étnicos — atenienses e bárbaros — e ele os criou a partir de um ancestral comum. Então vocês, atenienses, são feitos do mesmo tecido que os desprezados bárbaros e citas.

2. Todo membro de todo grupo étnico é feito à imagem de Deus.

Gênesis 1.27:
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Quando você coloca esse ensino de Gênesis 1 (que Deus criou o primeiro homem à sua imagem) junto com o ensino de Atos 17.26 (que Deus criou todos os grupos étnicos a partir desse primeiro ancestral), o que surge é que todos os membros de todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus.
Não importa qual a cor da pele, ou as feições do rosto, ou a textura do cabelo, ou outros traços genéticos; todo ser humano em todo grupo étnico possui uma alma imortal à imagem de Deus: uma mente com poderes de raciocínio singulares semelhantes aos de Deus, um coração com capacidade para julgamentos morais e afeições espirituais, e um potencial para relacionamento com Deus que separa completamente cada pessoa dos animais que Deus criou. Todo ser humano, seja qual for a cor, forma, idade, gênero, inteligência, saúde ou classe social, é criado à imagem de Deus.

3. Na determinação do significado de quem você é, ser uma pessoa à imagem de Deus se compara com as diferenças étnicas da mesma maneira que o sol do meio dia se compara com um castiçal.

Em outras palavras, encontrar a sua identidade principal em ser branco ou ser negro, ou em qualquer outro traço de cor étnico, é como se orgulhar de carregar uma luz de vela debaixo do céu sem nuvens ao meio dia. Velas têm seu lugar. Mas não para iluminar o dia. Então cor e etnia têm o seu lugar, mas não como a glória e maravilha principal da nossa identidade como seres humanos. A glória primária de quem nós somos é o que nos une em nossa humanidade semelhante a Deus, não o que nos diferencia em nossa própria afiliação étnica.
Essa é a mais fundamental razão pela qual programas de “treinamento de diversidade” normalmente dão um tiro no pé em sua tentativa de nutrir respeito mútuo entre grupos étnicos. Eles concentram maior atenção no que é comparativamente menor, e virtualmente nenhuma atenção no que é infinita e gloriosamente maior — nossa permanência singular sobre toda a criação como indivíduos criados à imagem de Deus.
Se os nossos filhos e filhas têm cem ovos, vamos ensiná-los a colocar noventa e nove ovos na cesta chamada “pessoa feita à imagem de Deus” e um ovo na cesta chamada “distinção étnica”.

4. A predição de uma maldição que Noé proclamou sobre alguns descendentes de Cam em Gênesis 9.25 é irrelevante na decisão de como a raça negra deve ser vista e tratada.

Ao longo dos séculos algumas pessoas tentaram provar que a raça negra está destinada a ser subserviente por causa das palavras de Noé sobre o seu filho Cam que foi o pai dos povos africanos. Observemos o próprio texto da Escritura, e então eu darei três razões de porque isso não determina como os povos da África devem ser vistos e tratados. Lembre-se que Noé tinha três filhos: Sem, Cam e Jafé.
Gênesis 9.21–25:
Bebendo do vinho, embriagou-se [Noé] e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço. Então disse: “Maldito seja [ou “será”] Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos”.
Agora observe três coisas:

A Maldição de Noé Cai sobre Canaã

Primeiro, Noé toma essa ocasião do pecado de seu filho Cam e a usa para fazer uma predição sobre a prosperidade do filho mais novo de Cam, Canaã. Basicamente a predição é que os cananitas eventualmente seriam subjugados pelos descendentes de Sem e Jafé.
Ora, há muitas perguntas a se fazer aqui. Mas eu só tenho tempo para apontar algumas poucas relevantes ao nosso ponto principal. Cam tinha quatro filhos de acordo com Gênesis 10.6. “Os filhos de [eram] Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã”. Ora, em termos gerais, Cuxe é provavelmente o ancestral dos povos da Etiópia; Mizraim é o ancestral dos egípcios; e Pute é o ancestral dos povos do norte da África, os líbios. Mas Canaã é o único dos quatro filhos que não é ancestral de povos africanos. Gênesis 10.15–18 cita os descendentes de Canaã: “Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zemareus e aos hamateus”. Todos esses povos eram habitantes de Canaã e proximidades, não da África. E a predição de Noé se tornou verdade quando as nações cananitas foram expulsas pelos israelitas por causa de sua perversidade (Deuteronômio 9.4–5). Então a maldição não recai sobre os povos africanos, mas sobre os cananitas.

A Maldição de Noé Não Trata de Indivíduos

Segundo, a nação predita de Noé não dita como o povo de Deus deve tratar cananitas individuais. Por exemplo, cinco capítulos depois, em Gênesis 14.18, Abraão, descendente de Sete, encontra um cananita nativo chamado Melquisedeque, que era homem justo e “sacerdote do Deus Altíssimo”, e que abençoou Abraão. Abraão deu a ele o dízimo dos seus espólios. Então nem mesmo o fato de que Deus ordena julgamento sobre nações perversas dita a nós como devemos tratar indivíduos nas mesmas nações.

Deus Planeja Redenção para Todas as Nações

Terceiro, em Gênesis 12, Deus coloca em ação um grande plano de rendenção para todas as nações, para resgatá-las dessa e de qualquer outra maldição de pecado e julgamento. Ele chama a Abrão para todas as nações e faz uma aliança com ele e promete: Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. “Todas as famílias da terra” inclui as famílias cananitas.
Então o que vemos é que, com Abraão, Deus está colocando em ação um plano de redenção que derruba cada maldição sobre qualquer pessoa que recebe a bênção de Abraão, a saber, o perdão e a aceitação de Deus que vem através de Jesus Cristo, a semente de Abraão (Gálatas 3.13–14). O que nos leva para a quinta tese:

5. É propósito e ordem de Deus que façamos discípulos para Jesus Cristo de cada grupo étnico do mundo, sem distinção.

Mateus 28.18–20:
Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
Fazei discípulos de “todas as nações” — isto é, de todo grupo étnico. É a mesma expressão de Atos 17.26, onde diz que Deus de um só criou “toda a raça humana” — todo grupo étnico. Assim como todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus, o objetivo de Deus é redimir pessoas de todo grupo étnico. O fato de sermos feitos à imagem de Deus não significa que somos salvos. Todos somos distorcidos pelo pecado. As singulares maneiras em que fomos criados para refletir a glória e o valor de Deus foram amplamente arruinadas. Então Deus enviou o seu Filho, Jesus, ao mundo para morrer por nós para que possamos crer nele e ser perdoados, limpos e restaurados, para que nos tornássemos troféus da sua graça.

6. Todos os crentes em Jesus Cristo, de todo grupo étnico, são unidos uns aos outros não apenas em uma simples humanidade à imagem de Deus, mas ainda mais, como irmãos e irmãs em Cristo e membros do mesmo corpo.

Romanos 12.4–5:
Assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.
O corpo de Cristo tem uma mão negra, um pulso branco, um braço amarelo e um ombro vermelho. E o pulso branco não pode dizer para a mão negra: “Não preciso de você” (1 Coríntios 12.21). E o braço amarelo não pode dizer ao ombro vermelho: “Por eu não ser um ombro, não sou parte do corpo” (1 Coríntios 12.15).
Outra figura, além de um corpo, é uma família.
1 João 3.1:
Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus.
Em outras palavras, se a nossa identidade como indivíduos humanos criados à imagem de Deus é maior do que todas as diferenças étnicas (visto no ponto no. 3), então a nossa identidade como filhos de Deus renascidos é ainda maior do que todas as diferenças étnicas. Eu diria da seguinte maneira: A glória da nossa semelhança familiar em Cristo é muito maior do que as nossas diferenças étnicas, tanto quanto o oceano é maior do que um dedal.
Antes vimos uma grande verdade — de que somos mais unidos pela nossa humanidade do queseparados pela nossa afiliação étnica. Mas essa é uma verdade ainda maior, que em Cristo temos unidade sobre unidade. No topo de uma comum pessoalidade humana à imagem de Deus, temos uma comum pessoalidade redimida à imagem de Cristo. E quão menos devemos ser divididos pelas nossas diferenças étnicas! “[Não há] grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos” (Colossenses 3.11).

7. A Bíblia proíbe casamento entre um crente e um incrédulo, mas não entre membros de diferentes grupos étnicos.

1 Coríntios 7.39:
A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.
“Somente no Senhor”. A Bíblia nos direciona claramente a não casar com incrédulos. Se já estamos casados com um incrédulo, devemos permanecer casados (1 Coríntios 7.12–13; 1 Pedro 3.1–6). Mas se estamos livres para casar, devemos casar apenas com aquele que compartilha da nossa lealdade a Jesus.
Esse era o ponto principal das advertências do Antigo quanto a casar com aqueles que pertenciam a nações pagãs. Por exemplo, Deuteronômio 7.3–4:
Nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros.
A questão não é mistura de cores, ou mistura de costumes, ou identidade do clã. A questão é: haverá uma lealdade comum ao Deus verdadeiro nesse casamento, ou haverá afeições divididas? A proibição na Palavra de Deus não é contra casamento inter-racial, mas contra casamento entre crente e incrédulo. Isso é exatamente o que esperaríamos se a grande base da nossa identidade não são as nossas diferenças étnicas, mas a nossa comum humanidade à imagem de Deus e a nossa nova humanidade à imagem de Cristo.

8. Portanto, contra o crescente espírito de indiferença, alienação e hostilidade no nosso país, nós abraçaremos a supremacia do amor de Deus para dar novos passos pessoal e coletivamente em direção à reconciliação racial, expressada visivelmente em nossa comunidade e em nossa igreja.

Que venhamos a banir cada pensamento de depreciação e falta de amor das nossas mentes.
Expulsemos de nossas bocas cada palavra ou tom de escárnio ou desdém.
Saiamos do nosso conforto para mostrar unidade pessoal e afetuosa com cristãos de todos os contextos étnicos.
Sejamos o sal e a luz da nossa hostil e assustadora sociedade com atos corajosos de bondade e respeito inter-raciais.
Resumindo, olhemos para Cristo e sejamos perdoados, limpos, curados e capacitados ao amor.

Por: John Piper. © 2014 Desiring God Foundation. Original: Racial Reconciliation.