terça-feira, 22 de novembro de 2011

CALVINO, O DIACONATO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL


Alderi Souza de Matos


O reformador João Calvino (1509-1564) foi, reconhecidamente, o mais articulado e produtivo dentre os teólogos protestantes do século 16. Sua mente inquiridora interessou-se pelos mais diferentes temas relacionados com a fé cristã, a igreja e a sociedade. Um dos muitos tópicos que despertaram o seu interesse foi a questão social e suas implicações, sobre as quais escreveu amplamente. As suas idéias acerca desse assunto podem ser encontradas na sua obra magna, a Instituição da Religião Cristã ou Institutas, bem como em seus comentários bíblicos, sermões, cartas e outros escritos.


1. Duas Influências
Calvino foi despertado para a problemática social por duas realidades de grande impacto. De um lado, ele defrontou-se continuamente com as dificuldades sócio-econômicas enfrentadas por muitas pessoas e grupos na Europa do seu tempo. Além dos antigos problemas das guerras, fomes prolongadas e epidemias, havia os males estruturais de uma sociedade feudal em transição para o capitalismo, que gerava todo um conjunto de desigualdades e injustiças sociais. Mais especificamente, o reformador se deparava com a situação da cidade de Genebra, na Suíça, onde passou boa parte da sua vida (cerca de vinte e cinco anos). Além da população carente local, a cidade recebia continuamente o influxo de centenas de refugiados que para lá se dirigiam fugindo da intolerância religiosa em outras partes do continente.


Outro elemento gerador da reflexão social de Calvino, esse certamente muito mais importante, foi o ensinamento das Escrituras sobre esse assunto. Os estudiosos apontam para o fato de que Calvino foi eminentemente um teólogo bíblico. Ele preocupou-se em expor o que as Escrituras ensinam sobre os temas mais relevantes para a vida humana. E um desses temas, presente nas mais diferentes partes tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, é a questão social. Daí ter o reformador escrito tão amplamente sobre pobreza e riqueza, o uso do dinheiro e as responsabilidades dadas por Deus aos seus filhos com respeito aos sofredores.


Uma coisa que não se deve fazer é separar o pensamento social de Calvino da sua teologia. Dentre os princípios da teologia reformada calvinista está o entendimento de que Deus é soberano sobre todas as coisas, de que Cristo é o senhor de todos os aspectos da vida. Daí o caráter tão abrangente da fé reformada, que extrapola o campo especificamente religioso e eclesiástico para incluir todos os aspectos da sociedade e da cultura, inclusive as questões políticas, econômicas e sociais. Outro princípio central é que a Palavra de Deus deve governar todas as áreas da vida, pelo menos para os cristãos.


Examinando as Escrituras, Calvino discerniu na realidade do pecado humano a causa principal dos males sociais. Na forma de ignorância, insensibilidade, egoísmo e avareza, o pecado aliena o ser humano do seu Criador e do seu semelhante, gerando, agravando ou perpetuando os problemas sociais. Cristo, com seus ensinos, seu exemplo e sua obra redentora, veio restaurar os relacionamentos humanos aviltados pelo pecado. Por isso, a restauração da sociedade deve começar na igreja, a sociedade redimida.


2. Um Tríplice Ministério
Calvino entendia que a igreja deve exercer, nesse sentido, um tríplice ministério – didático, político e social. O primeiro aspecto aponta para a necessidade de continua instrução pública e particular a respeito da temática social. O reformador fez isso através do púlpito e dos seus escritos, particularmente os seus comentários bíblicos, ao abordar tópicos como a providência de Deus, trabalho e descanso, a mordomia dos bens e os deveres dos cristãos para com o próximo. Calvino partia da premissa bíblica de que todas as dádivas da criação pertencem a Deus e se destinam ao usufruto dos seres humanos. Portanto, a comunidade deve distribuir os recursos dados por Deus com vistas ao bem comum, pois é inescusável que alguns indivíduos tenham abundância e outros passem necessidade. A ética social calvinista fundamenta-se na solidariedade e generosidade que repudia a ganância e a insensibilidade. Todavia, a beneficência cristã não deve praticada por mera obrigação ou legalismo, e sim como um ato de compaixão, espontaneidade e liberalidade.


São particularmente interessantes as opiniões de Calvino acerca de ricos e pobres. Ele argumenta que esses dois grupos são chamados à comunhão, repartindo e recebendo. Em um sermão sobre Deuteronômio 15.11-15, o reformador pondera: “Deus mistura os ricos e os pobres para que eles possam encontrar-se e ter comunhão uns com os outros, de modo que os pobres recebam e os ricos repartam”. Uma das razões por que Deus permite que exista pobreza no mundo é dar aos mais afortunados a oportunidade de praticarem o bem. Como uma lei da vida, onde existe riqueza abundante também deveria haver doações generosas dos ricos aos pobres. Um dos textos que Calvino utiliza com mais freqüência nos seus escritos é o apelo de Isaías ao homem rico de Israel – “... e não te escondas do teu semelhante” (Is 58.7) – que ele interpreta como uma referência ao pobre.


Ao contrário do que pode parecer, o reformador não defendia o assistencialismo paternalista. Ele valorizou o trabalho como o meio usual para a obtenção do sustento próprio e familiar. Quando pregava sobre a proibição veterotestamentária de se privar um credor pobre da sua mó superior em garantia de uma dívida (Dt 24.6), Calvino dava a entender que nenhuma sociedade jamais deve privar qualquer pessoa da oportunidade de trabalhar para ganhar o seu sustento. Em contraste com alguns calvinistas posteriores, o reformador nunca viu a pobreza e o infortúnio como evidências do desfavor de Deus para com o indivíduo afligido, nem considerava a prosperidade como um sinal da bênção de Deus por causa de méritos pessoais ou como evidência da eleição para a salvação. Antes, a riqueza e a pobreza são expressões do favor ou do juízo de Deus sobre toda a comunidade, que deve redistribuir os seus recursos com vistas ao bem-comum. Outros textos aos quais Calvino apela são Deuteronômio 15.7-15; Salmo 41.1; Amós 8.4-6; 2Coríntios 8 e 1João 3.17-18.


O segundo aspecto do ministério da igreja na área social é a atuação política. Na Genebra de Calvino, como de resto em toda a Europa do século 16, havia uma profunda ligação entre a Igreja e o Estado. Calvino entendia que essa relação devia ser de apoio mútuo, mas sem interferência. Não obstante, ele acreditava que, além de interceder pelas autoridades, a igreja tinha a missão de advertir os governantes sobre as suas responsabilidades, defender os pobres e oprimidos, e denunciar as injustiças sociais. O reformador ficava exasperado com uma série de práticas correntes em Genebra que prejudicavam os elementos mais frágeis da sociedade, tais como o monopólio, a cobrança de juros excessivos e a especulação em torno dos preços dos alimentos. Assim sendo, ele e seus colegas faziam gestões contínuas junto aos síndicos da cidade no sentido de que fossem corrigidas essas mazelas. Calvino defendeu a intervenção estatal para a proteção do bem comum, a fim de que “os homens respirem, comam, bebam e mantenham-se aquecidos” (Institutas 4.20.3). A sua influência e ensinos incentivaram o interesse já existente em Genebra por uma assistência ampla e respeitosa aos pobres.


Além do seu ministério didático e político, a igreja tem também um ministério social de socorro direto aos necessitados. Isso ela faz através da instituição do diaconato. Quando foi residir pela segunda vez em Genebra, em 1541, Calvino redigiu uma constituição para a igreja reformada daquela cidade, intitulada Ordenanças Eclesiásticas. Nesse documento ele previu quatro classes de oficiais para a igreja: pastores, mestres, presbíteros e diáconos. Recorrendo às Escrituras, ele atribuiu aos diáconos funções exclusivamente beneficentes. Se, por um lado, todo cristão tem o dever de socorrer os carentes e sofredores, a igreja como um todo também tem uma responsabilidade nessa área, devendo exercê-la através do diaconato.


3. O Diaconato Reformado
Curiosamente, Calvino encontrou na Bíblia, mais especificamente em Romanos 12.8, a justificativa para a existência de dois tipos de diáconos, aos quais ele denominou “procuradores” e “hospitaleiros”. Os primeiros seriam responsáveis pela arrecadação, administração e distribuição dos recursos destinados à beneficência. Os hospitaleiros dedicavam-se ao cuidado direto dos pobres e sofredores. É assim que Calvino aborda a questão no Livro IV das Institutas (4.3.9):


O cuidado dos pobres foi confiado aos diáconos. Todavia, dois tipos são mencionados na Carta aos Romanos: “Aquele que contribui, faça-o com simplicidade; ...o que exerce misericórdia, com alegria” [Rm 12.8; cf. Vulgata]. Como é certo que Paulo está falando do ofício público da igreja, deve ter havido dois graus distintos. A menos que eu esteja equivocado em meu julgamento, na primeira cláusula ele designa os diáconos que distribuem as esmolas, mas a segunda refere-se àqueles que se devotavam ao cuidado dos pobres e enfermos. Eram deste tipo as viúvas que Paulo menciona a Timóteo [1Tm 5.9-10]. As mulheres não podiam exercer qualquer outro ofício público, senão o de se devotarem ao cuidado dos pobres. Se aceitarmos isso (como deve ser aceito), haverá dois tipos de diáconos: um para servir a igreja administrando as questões referentes aos pobres e outro para cuidar dos pobres diretamente. Assim, muito embora o termo diakonia tenha em si mesmo uma implicação mais ampla, a Escritura designa especificamente como diáconos aqueles a quem a igreja nomeou para distribuírem as esmolas e cuidarem dos pobres, e também para servirem como mordomos da caixa comum dos pobres.


Os estudiosos têm procurado encontrar as raízes dessa concepção de Calvino acerca do duplo diaconato. Alguns acham que, além das Escrituras, Calvino recebeu duas outras influências. A primeira foi o ensino de outros reformadores, notadamente Martin Butzer, com o qual conviveu por três anos em Estrasburgo (1538-1541). Em segundo lugar, havia o fato concreto de que uma importante instituição social de Genebra tinha dois tipos de funcionários, que eram denominados, precisamente, hospitaleiros e procuradores dos pobres. Em suma, Calvino defendeu a necessidade de dois tipos de diáconos porque as Escrituras e a experiência indicavam que existem duas tarefas primordiais: a administração dos recursos e o cuidado pessoal dos necessitados. Outras passagens às quais o reformador recorreu em sua argumentação acerca do diaconato são Atos 6.1-6; Romanos 16.1-2; 1Timóteo 3.8-13 e 5.3-10.


4. Dois Grandes Exemplos
As idéias de Calvino acerca do diaconato encontraram expressão prática em duas instituições sociais existentes em Genebra. A primeira delas era o Hospital Geral, que havia sido criado pelo governo municipal em 1535 (um ano antes da chegada de Calvino), para substituir várias instituições católicas anteriores. Estava localizado em um antigo convento no centro de Genebra e era sustentado por recursos provenientes de diversas fontes. Seus administradores ou procuradores eram considerados ao mesmo tempo funcionários da municipalidade de Genebra e diáconos da igreja reformada local. Eles reuniam-se uma vez por semana, geralmente bem cedo aos domingos, para analisar o funcionamento do Hospital e deliberar sobre a assistência a famílias carentes específicas. A administração diária do Hospital estava confiada ao hospitaleiro, que residia no próprio local e supervisionava o programa de assistência aos muitos necessitados que ali residiam, tais como órfãos, menores abandonados, deficientes físicos e anciãos. O hospitaleiro organizava equipes de cozinheiros que faziam pão e vinho para os internos. Seus outros auxiliares eram um professor para as crianças, um barbeiro-cirurgião e um farmacêutico que prestavam assistência médica e serventes encarregados de tarefas mais simples.


O Hospital Geral era voltado para as necessidades dos moradores de Genebra, mas não havia na cidade recursos para socorrer os refugiados religiosos que para lá afluíam em número crescente, vindos especialmente da vizinha França. Os recém-chegados competiam com os residentes por espaço, alimento e trabalho. As condições sanitárias eram precárias e as doenças contagiosas, endêmicas. A fim de minorar esses problemas causados pela imigração, foi criada por volta de 1545 uma nova instituição, o Fundo para os Estrangeiros Franceses Pobres, mais conhecido como Fundo Francês. Em essência, o que o Fundo fazia era angariar dinheiro junto aos refugiados ricos e utilizá-lo para dar assistência aos refugiados carentes. Calvino, o refugiado mais ilustre de Genebra, embora vivesse modestamente, contribuía para o Fundo de maneira regular e generosa.


Os dirigentes da instituição, geralmente imigrantes de posses, eram considerados diáconos da Igreja Reformada de Genebra. Eles aplicavam os recursos do Fundo em uma grande variedade de projetos caritativos: ajudavam os novos refugiados a obterem moradia em casas particulares ou hospedarias; forneciam camas ou colchões, pequenas doações em dinheiro ou cereais e conjuntos de ferramentas ou matrículas para os aprendizes de ofícios; contratavam amas de leite ou mães adotivas para os bebês órfãos; compravam tecidos e contratavam alfaiates e costureiras para fazerem roupas para os pobres. Também ofereciam serviços médicos através de profissionais especializados. Além disso, os diáconos aplicavam os recursos do Fundo em projetos missionários, especialmente na França.


5. Considerações Finais
As instituições sociais existentes em Genebra em meados do século 16 mostram a coerência que havia entre o pensamento social de Calvino e as práticas da igreja que pastoreava. À luz das Escrituras, o reformador entendia que a igreja tem uma solene responsabilidade para com os carentes e marginalizados. Essa obrigação resulta da compreensão de uma série de verdades: o caráter de Deus como um ser misericordioso, que atenta para os sofredores; a obra redentora de Cristo, que liberta o ser humano do egoísmo e da insensibilidade e o impulsiona a amar o seu semelhante; os bens materiais como instrumento não apenas de satisfação própria, mas de serviço a Deus e aos outros. Não só as Escrituras ordenam de maneira insistente e explícita que os filhos de Deus pratiquem individualmente a misericórdia e a solidariedade, mas prescrevem que a igreja também o faça coletivamente, através de oficiais especialmente designados, os diáconos.


Calvino argumentava que, assim como os pastores são os ministros do culto, os líderes dos “serviços de piedade” que expressam obediência ao primeiro mandamento (amor a Deus), os diáconos são os ministros da benevolência, os líderes dos “serviços de caridade” que cumprem o segundo grande mandamento, a segunda tábua da lei (amor ao próximo). Se deve haver dois tipos de diáconos (como no Hospital Geral) ou um só tipo (como no Fundo Francês) é secundário; o importante é que a igreja tenha esses oficiais e que eles sejam reconhecidos e apoiados na nobre missão que lhes é confiada pelo próprio Deus, através da sua Palavra.


Em conclusão, é inspirador vermos o lugar de destaque dado por João Calvino às preocupações sociais tanta na sua teologia em geral como nas suas práticas ministeriais na cidade de Genebra. Essencialmente, o ilustre reformador cria que o cristão é um mordomo das dádivas de Deus e que a boa mordomia leva o crente a ter um espírito generoso e aberto para com os menos afortunados. Esse é um valioso legado que precisa ser resgatado pelos herdeiros da Reforma, numa época em que muitas igrejas têm se esquecido das suas responsabilidades nessa área. Só assim poderemos ser seguidores fiéis e coerentes daquele que “andou por toda parte, fazendo o bem” (Atos 10.38).


Leituras Complementares
André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino (Casa Editora Presbiteriana).

Augustus Nicodemus Lopes, Calvino e a Responsabilidade Social da Igreja (Publicações Evangélicas Selecionadas).

Alderi S. Matos, “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra”, revista Fides Reformata, Vol. 2, N° 2 (Jul-Dez 1997): 69-88.


Perguntas para Discussão
1. Quais os dois conjuntos de considerações que levaram Calvino a preocupar-se com a responsabilidade social da igreja?

2. Segundo o reformador, que tríplice ministério a igreja deve exercer em relação aos problemas sociais?

3. Por que não é suficiente que os cristãos pratiquem a benevolência individualmente?

4. Em que aspectos o diaconato dos dias de Calvino era diferente do atual em nossas igrejas?

5. Quais são alguns dos principais fundamentos bíblicos e teológicos para a existência do ofício diaconal?

6. A existência de estruturas e programas sociais governamentais não torna desnecessária em nossos dias a atuação dos diáconos?

7. O que a sua igreja local pode fazer de concreto para desincumbir-se do mandado bíblico na área social?


terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Muitos pastores remunerados tornam-se verdadeiros parasitas de igreja" (...). Apesar da discordância em vários pontos e a forma da abordagem do respectivo artigo, uma coisa é verdadeira, quem é membro do Conselho Pastoral não pode permitir que isto aconteça. Pb. Luis Cavalcante

Apesar da discordância em vários pontos e a forma da abordagem do respectivo artigo, uma coisa é verdadeira, quem é membro do Conselho Pastoral não pode permitir que isto aconteça. Pb. Luis Cavalcante

 

Tempo integral sem integridade


Carlos Fernandes


Digno é o trabalhador de seu salário, mas muitos pastores remunerados tornam-se verdadeiros parasitas de igreja


Sob certos aspectos, pode ser considerado o emprego dos sonhos de muita gente: sem relógio de ponto, com horários flexíveis, bom salário – direto e indireto, já que costuma ser acompanhado de benefícios como auxílio-moradia, convênio médico e previdência privada –, pouca cobrança por resultados e várias mordomias, virar pastor de tempo integral virou o sonho de muita gente. Em igrejas de grande porte, então, o negócio é melhor ainda: com vários cargos à disposição e uma legião (ops, legião, não!) de fiéis voluntários prontos a fazer a obra de Deus por puro diletantismo, o trabalho do ministro do Evangelho limita-se a pregações dominicais, reuniões de gabinete e as inevitáveis celebrações de casamentos e enterros, que, diga-se de passagem, não acontecem todo dia. O resto é tempo livre para “meditar na Palavra”, dedicar-se à vida familiar, praticar esportes e preparar sermões. É verdade que muitos sermões, ultimamente, vêm mais do Google do que de verdadeira inspiração divina, mas deixemos isso para lá.

O fato é que é grande o número de pessoas nas igrejas loucas para ingressar no chamado ministério de tempo integral. A justificativa, na maioria das vezes, é das mais válidas – bíblica, até: afinal, quem aspira ao pastorado, excelente obra almeja, nas palavras de Paulo, o apóstolo (ele mesmo um sujeito que não vivia do ministério, e sim, de sua profissão de artífice, um belo exemplo cada vez menos seguido). Ademais, dizem, sem preocupações com o sustento, o pregador teria mais tempo para dedicar-se ao ministério através de visitas a enfermos e presidiários, evangelismo, ações de natureza social e muitos outros etcéteras. Tudo muito bonito e bem justificado. Acontece que nem sempre a banda toca desse jeito. E o sujeito que um dia sentiu-se chamado por Deus para o sagrado ofício do pastorado acaba virando um burocrata de si mesmo, envolvido com um sem-número de demandas pessoais ou meramente administrativas. Um burguês sem cheiro de ovelha ou barro nos pés, como os pastores de outrora.

“Assusta a quantidade de gente querendo se dar bem nos arraiais evangélicos e fazer do púlpito, simplesmente, um meio de vida – boa vida, diga-se de passagem”

Assusta a quantidade de gente querendo se dar bem nos arraiais evangélicos e fazer do púlpito, simplesmente, um meio de vida – boa vida, diga-se de passagem. Mas a praga do parasitismo eclesiástico não se limita às igrejas e seus inchados ministérios; é grande, também, o número de pregadores quixotescos, sem vinculação denominacional, sempre em busca de convites para pregar ou dar testemunho aqui e ali, em troca – claro – de uma ofertinha. Os mais caras-de-pau chegam a distribuir cartões de visita. Na última edição da Expo Cristã, a feira anual de produtos e serviços evangélicos que acontece todo ano em São Paulo, voltei para casa com o bolso cheio de cartões e folhetos onde se lia mais ou menos isso: “Fulano de tal, ministro do Evangelho [ou missionário, obreiro, evangelista]: Curas, libertação, batismo com o Espírito Santo”. Quer dizer que se a gente contratar o cara para um culto em nossa igreja, tudo isso vai acontecer? Então, tá!

OK, a Bíblia diz que o trabalhador é digno de seu salário. E a tradição evangélica já consagrou a figura do ministro de tempo integral, aquele obreiro separado por Deus e reconhecido pela igreja local, a quem cabe sustentar seu líder. Nada contra remuneração, férias, 13º salário e demais auxílios que a igreja possa fornecer ao homem de Deus, é tudo muito justo. Agora, que o pastor esteja realmente disposto e disponível a trabalhar pelo Reino, e não só na igreja local – há inúmeros hospitais, asilos e orfanatos cheios de gente ansiosa por uma oração, uma palavra de conforto e fé. Convenhamos: se a maioria dos trabalhadores tem de dar expediente a semana inteira, com uma ou duas folgas, quando muito, por que tantos pastores e pregadores querem ficar no bem-bom de seus gabinetes refrigerados ou, pior ainda, refestelados na poltrona de casa em plena terça-feira à tarde?

Com o crescimento das igrejas no cenário urbano e a penetração cada vez maior do Evangelho nas classes médias, a tendência a ser evitada é a construção desse tipo de corporação eclesiástica, na qual os líderes ganham muito mas não querem nada com a hora do Brasil. Tempo integral, tudo bem; mas que haja integridade também. Quem quiser moleza, que se candidate ao Congresso Nacional, onde um monte de gente também não faz nada e vive às custas do contribuinte – mas, pelo menos, ninguém lá diz que foi “chamado por Deus”.


Carlos Fernandes é jornalista, produtor editorial e diácono da Igreja Maranata, no Rio de Janeiro.


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2011/10/tempo-integral-sem-integridade.html#ixzz1doYZvYRm
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Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2011/10/tempo-integral-sem-integridade.html?__akacao=647527&__akcnt=d0cb5bfb&__akvkey=2c3a

Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com

domingo, 13 de novembro de 2011

Infelizmente, hereges, sodomitas e liberais teológicos da Igreja Presbiteriana dos EUA se levanta contra Israel

Igreja Presbiteriana dos EUA contra Israel


Especial do jornal israelense Ynetnews: Igreja Presbiteriana se tornando mais anti-Israel, mais antissemita

Giulio Meotti
A maioria dos presidentes dos Estados Unidos, desde James Madison, eram membros da Igreja Presbiteriana, que tem a reputação de ser a mais rica e majoritária entre as igrejas americanas. Presbiterianos deram aos Estados Unidos dezenas de presidentes, juízes do Supremo Tribunal, secretários de Estado (Condoleezza Rice é filha de um pastor presbiteriano) ministros de governo e membros do Congresso. Até o Pastor Billy Graham, conhecido como “conselheiro dos presidentes dos EUA”, tem sido um dedicado presbiteriano.
Contudo, em anos recentes, a Igreja Presbiteriana dos EUA apareceu nas manchetes devido a uma campanha anti-Israel extremamente venenosa na qual dinheiro, teologia e política são combinados juntamente. Ativistas pró-palestinos, aliados com fanáticos protestantes anti-judeus, ganharam uma vitória em 2004 quando a Igreja Presbiteriana retirou seus 8 bilhões de dólares de ações das empresas que faziam negócios com Israel. Alguns dias atrás os presbiterianos e outras três denominações protestantes endossaram o pedido de criação de um Estado Palestino junto à ONU.

Presbiterianos pedem fim de toda ajuda dos EUA a Israel
Enquanto isso, a Igreja Presbiteriana realizou uma conferência em Louisville com o título “Bíblia, terra e nosso desafio teológico”. Adotou o “Documento Kairos”, no qual diz que as políticas de segurança de Israel são “um pecado contra Deus”, liga o muro de segurança ao “apartheid”, rejeita o Estado judaico, apoia o terrorismo quando fala sobre os “milhares de prisioneiros que sofrem em celas israelenses”, e declara que “resistência ao mal da ocupação é um direito e dever cristão”.
No simpósio em Louisville, o Rev. Eugene March, professor emérito do Velho Testamento no Seminário Presbiteriano, disse que o direito judeu à terra santa é “inválido”, enquanto o Rev. Gary Burge, professor do Novo Testamento na Faculdade Wheaton, disse que “Jesus subverteu a política de terra do Judaísmo” e criticou “a visão de mundo do Judaísmo”. É difícil de imaginar calúnia mais feia.
O Comitê Presbiteriano para Responsabilidade de Missões Através de Investimento exortou Assembleia Geral a adotar plenamente o assim chamado movimento BDS e se retirar da Caterpillar, Hewlett-Packard, e Motorola (uma decisão é aguardada para daqui a alguns meses). Os presbiterianos possuem centenas de milhares de ações nessas empresas através de seus fundos de pensão para trabalhadores aposentados e através de fundações. A igreja acusou essas empresas de vender helicópteros, celulares, equipamentos de visão noturna e outros produtos que Israel usou para garantir sua “ocupação”.

Alegações falsas

O Rabino Abraham Cooper, vice-decano do Centro Simon Wiesenthal, chamou a campanha de “uma receita para desarmar Israel” e as ações presbiterianas de “praticamente antissemitas”. O relatório da Igreja Presbiteriana em 2010 com o título “Derrubando os muros” — é caracterizado como “venenoso” pela Liga Anti-Difamação — legitima dúvidas sobre o direito de existência de Israel e pede aos EUA que retirem sua ajuda militar para Israel.
De acordo com a organização de defesa de direitos dos cidadãos Camera, a Rede de Missões do Oriente Médio da Igreja promove incitações antissemitas até mesmo através da estação de televisão Al-Manar controlada pelo Hezbollah, incluindo falsas alegações sobre Israel criando túneis debaixo do Monte do Templo (acusações que no passado provocaram violência em Jerusalém).
Nesta semana em Atlanta a Igreja Presbiteriana realizou outro simpósio, “De Birmingham a Belém”, ligando Martin Luther King aos palestinos. Um dos principais palestrantes foi um clérigo palestino, padre Naim Ateek, cuja influência no protestantismo contemporâneo é imensa, pelo menos através de seu Centro Sabeel em Jerusalém. As denúncias de Ateek contra Israel incluem ligações imaginárias do Estado judeu à acusação de deicídio que durante séculos alimentou o derramamento de sangue judeu.
Escrevendo ao jornal de Estudos Ecumênicos, Adam Gregerman observou que teólogos como Ateek “perpetuam algumas das imagens mais repugnantes e cruéis dos judeus como malevolentes, antissociais, hostis aos que não são judeus”. Por exemplo, Ateek escreveu sobre o “Herodes dos dias modernos” em Israel, referindo-se ao rei que, de acordo com o Novo Testamento, assassinou os bebês de Belém em uma tentativa de matar o recém-nascido Jesus.
De fato, muitas vozes nos EUA estão agora sugerindo que os presbiterianos deixaram para trás o compromisso de “nunca mais” “participar de, contribuir para, ou... permitir a perseguição ou difamação dos judeus” (da Declaração do Relacionamento Entre Cristãos e Judeus de 1987).
Na Idade Média, “encenações de peças religiosas”, que retratavam os judeus como os carrascos de Jesus, ajudaram a colocar combustível nas fogueiras e pogroms até que o Holocausto levou essa teologia sombria para a clandestinidade. A Igreja Presbiteriana está agora encenando uma peça religiosa do século XXI, na qual Israel é o judeu do mundo.
Giulio Meotti, um jornalista que com Il Foglio, é o autor do livro Um novo Shoah: A história não contada das vítimas israelenses do terrorismo.
Tradução: Eliseu P. L. J.
Revisão: Julio Severo
Título do artigo original em inglês: US church versus Israel
Fonte em português: www.juliosevero.com
Quem precisa de Israel, artigo de Pat Boone
Sobre a revista Ultimato, cujo fundador e dono é presbiteriano:
Igrejas presbiterianas dos EUA e Europa sucumbindo diante do movimento homossexual: